Steakhouse.lu Steakhouse.lu

Companhia

O que fica ao lado
do bife.

Um bom molho eleva um bife, o errado esconde-o. Aqui estão os clássicos e os seus princípios, os acompanhamentos que resultam mesmo — e vinhos que não trabalham contra a carne.

Regra 01

Quanto melhor a carne, menos molho

Dry aged, wagyu ou carne de vaca velha pedem sal grosso e nada mais. O molho justifica-se onde falta sabor próprio — no filé, por exemplo.

Regra 02

Gordura pede acidez

Num entrecôte marmoreado, o chimichurri assenta melhor do que a béarnaise: o vinagre e as ervas cortam a gordura, a manteiga acrescenta mais.

Regra 03

O molho serve-se ao lado

Não o deite sobre o bife — a crosta amolece. Uma colher ao lado da carne e cada um doseia como quer.


Os cinco clássicos

Molho béarnaise

O molho de bife clássico da cozinha francesa: uma redução de vinagre de vinho branco, chalotas, estragão e grãos de pimenta, batida com gema e manteiga clarificada em banho-maria e finalizada com estragão fresco e cerefólio. A temperatura é o ponto crítico: acima de 65 °C a gema coalha.

Combina com: filé mignon, chateaubriand, contrafilé. Não combina com: dry aged.

Chimichurri

A resposta argentina: salsa picada, orégãos, alho, flocos de malagueta, vinagre de vinho tinto e azeite, a apurar pelo menos uma hora. Sem calor, sem espessante — a frescura é o objetivo todo.

Combina com: fraldinha, vazio, picanha, entrecôte, tudo o que sai da grelha.

Molho de pimenta

Pimenta preta grosseiramente moída é suada nos sucos da frigideira, flambada com conhaque, reduzida com fundo de vitela e montada com natas. Quem o leva a sério usa os sucos da frigideira do bife — é daí que vem a profundidade.

Combina com: contrafilé, bife de alcatra, filé mignon.

Café de Paris

Uma manteiga de ervas com mais de vinte ingredientes, nascida em Genebra: estragão, alcaparras, anchovas, mostarda, caril, alho, limão e conhaque, entre outros. Sobre o bife quente derrete e vira molho. As versões compradas raramente são boas; feita em casa, guarda-se meses no congelador.

Combina com: entrecôte, contrafilé.

Jus de vinho tinto

Reduzir a um terço um fundo de vitela com vinho tinto e chalotas, passar por um passador e montar com manteiga fria. Trabalhoso, mas a companhia mais elegante para o filé.

Acompanhamentos que resultam

  • Batata frita, frita duas vezes. Primeiro cozer a 140 °C, deixar arrefecer e depois alourar a 180 °C. É o passo intermédio que faz a diferença.
  • Batata assada com natas ácidas. A melhor escolha com dry aged, porque não esconde nada.
  • Gratinado de batata. Exige tempo, mas dá-se bem com qualquer molho.
  • Couve-coração ou endívia grelhadas. O amargo como contrapeso à gordura.
  • Salada verde com vinagreta forte. O clássico subestimado.
  • Cebola frita e tutano. Quando pode ser generoso.
  • Cogumelos salteados. Umami sobre umami — resulta especialmente com cortes magros.

Vinho com bife

A regra base: o tanino liga a gordura. Um tinto tânico parece mais macio ao lado de um bife gordo, e o bife, por sua vez, parece menos pesado. Vinhos muito frutados e de pouco tanino soam depressa a magros ao lado.

Com o corteRecomendaçãoPorquê
Entrecôte, ribeyebordéus, cabernet sauvignon, malbectanino contra gordura
Filé mignonpinot noir, borgonha, rioja levefinura em vez de força
Contrafilésyrah, côtes-du-rhôneespeciaria para uma mordida firme
Dry agedbordéus evoluído, rioja reserva, barolomaturidade com maturidade
Fraldinha, chimichurrimalbec, tempranillofruta contra a acidez do molho
Wagyuchampanhe, branco encorpado, saquéa acidez corta a gordura

Do Luxemburgo: um pinot noir encorpado do Mosela funciona surpreendentemente bem com filé e com cortes de bovino criado a pasto — e um crémant de Luxembourg bruto é a escolha local mais óbvia para carpaccio e tártaro.

Cerveja em vez de vinho

Uma cerveja escura e maltada — bock, dunkel, stout — acompanha os aromas tostados da crosta. Já as IPA muito lupuladas chocam frequentemente com carne selada: o amargo do lúpulo somado ao amargo da crosta torna-se depressa excessivo.